NU FRONTAL
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NU FRONTAL

Se você acha que Caetano Veloso é poeta, Gilberto Gil é filósofo,cano de descarga é incenso e o "brasil" é o país do futuro, este espaço deseja humildemente demonstrar que em país de cego quem tem um olho é Aleijadinho.

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Quinta-feira, Novembro 29, 2007
 

O mito



Sequer conheço Fulana,vejo Fulana tão curto Fulana jamais me vê,mas como eu amo Fulana. Amarei mesmo Fulana? ou é ilusão de sexo? talvez a linha do busto,
da perna, talvez o ombro.Amo Fulana tão forte,amo Fulana tão dor,que todo me despedaço e choro,menino, choro Mas Fulana vai se rindo...Vejam Fulana dançando
No esporte ele está sozinha no bar, quão acompanhada. E Fulana diz mistérios,diz marxismo, rimmel, gás.Fulana me bombardeia,no entanto sequer me vê.E sequer nos compreendemos, é dama de alta fidúcia,tem latifúndios, iates,sustenta cinco mil pobres, menos eu... que de orgulhoso me basto pensando nela Pensando com unha, plasma,fúria, gilete, desânimo. Amor tão disparatado, desbaratado é que é...Nunca a sentei no meu colo nem vi pela fechadura. Mas eu sei quanto me custa manter esse gelo digno, essa indiferença gaia, e não gritar: Vem, Fulana!Como deixar de invadir sua casa de mil fechos e sua veste arrancando mostrá-la depois ao povo tal como é, ou deve ser: branca, intacta, neutra, rara, feita de pedra translúcida, de ausência e ruivos ornatos. Mas como será Fulana,digamos, no seu banheiro?Só de pensar em seu corpo, o meu se punge...Pois sim.Porque preciso do corpo para mendigar Fulana,rogar-lhe que pise em mim, que me maltrate... Assim não. Mas Fulana será gente?Estará somente em ópera?Será figura de livros? Será bicho? Saberei?Não saberei? Só pegando,pedindo: Dona, desculpe,O seu vestido esconde algo? Tem coxas reais? cintura? Fulana às vezes existe demais: até me apavora. Vou sozinho pela rua, eis que Fulana me roça. Olho: não tem mais Fulana. Povo se rindo de mim. (Na curva do seu sapato
o calcanhar rosa e puro.) E eu insonte, pervagando em ruas de peixe e lágrima
Aos operários: a vistes? Não, dizem os operários. Aos boiadeiros: A vistes?
Dizem não os boiadeiros. Acaso a vistes, doutores? Mas eles respondem: Não!Pois é possível? Pergunto aos jornais: todos calados. Não sabemos se Fulana passou. De nada sabemos. E são onze horas da noite, são onze rodas de chope,onze vezes dei a volta de minha sede; e Fulana talvez dance no cassino ou, e será mais provável,
talvez beije no Leblon, talvez se banhe na Cólquida; talvez se pinte no espelho
do táxi; talvez aplauda certa peça miserável num teatro barroco e louco; talvez cruze a perna e beba, talvez corte figurinhas, talvez fume de piteira, talvez ria, talvez minta. Esse insuportável riso de Fulana de mil dentes (anúncio de dentifrício)
é faca me escavacando. Me ponho a correr na praia.Venha o mar! Venham cações!
Que o farol me denuncie!Que a fortaleza me ataque!Quero morrer sufocado,quero das mortes a hedionda,quero voltar repelido pela salsugem do largo,já sem cabeça e sem perna,à porta do apartamento,para feder: de propósito,somente para fulana.
E Fulana apelará para os frascos de perfume.Abre-os todos: mas de todos eu salto, e ofendo, e sujo. E Fulana correrá (nem se cobriu; vai chispando)talvez se atire lá do alto. Seu grito é: socorro! e deus. Mas não quero nada disso. Para que chatear Fulana?Pancada na sua nuca na minha é que vai doer. E daí não sou criança.Fulana estuda meu rosto.Coitado: de raça branca. Tadinho: tinha gravata. Já morto, me quererá? Esconjuro se é necrófila... Fulana é vida, ama as flores, as artérias e as debêntures. Sei que jamais me perdoará matar-me para servi-la.Fulana quer homens fortes, couraçados, invasores. Fulana é toda dinâmica,
tem um motor na barriga.Suas unhas são elétricas,seus beijos refrigerados, desinfetados, gravados em máquina multilite. Fulana, como é sadia!Os enfermos somos nós. Sou eu, o poeta precário que fez de Fulana um mito, nutrindo-me de Petrarca, Ronsard, Camões e Capim; Que a sei embebida em leite, carne, tomate, ginástica, e lhe colo metafísicas, enigmas, causas primeiras. Mas, se tentasse construir outra Fulana que não essa de burguês sorriso e de tão burro esplendor?
Mudo-lhe o nome; recorto-lhe um traje de transparência; já perde a carência humana;e bato-a; de tirar sangue. E lhe dou todas as faces de meu sonho que especula; e abolimos a cidade já sem peso e nitidez. E vadeamos a ciência,
mar de hipóteses. A lua fica sendo nosso esquema de um território mais justo.
E colocamos os dados de um mundo sem classes e imposto; e nesse mundo instalamos os nossos irmãos vingados.E nessa fase gloriosa, de contradições extintas, eu e Fulana, abrasados,queremos... que mais queremos? E digo a Fulana: Amiga, afinal nos compreendemos. Já não sofro, já não brilhas, mas somos a mesma coisa.






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Sábado, Novembro 24, 2007
 




QUANDO ZUMBI CHEGA É ZUMBI QUEM MANDA




Todo o feriado de zumbi é sempre a mesma coisa. Os preocupados com as finanças de nosso país alarmam e alarmam-se com os prejuízos incalculáveis que advirão da homenagem a uma das figuras mais importantes da História mundial. Afinal se vai parar o país justamente quando se já o fez por conta das comemorações que envolvem a Proclamação da República. Evidentemente esta preocupação toda não é má vontade com líder negro Zumbi dos Palmares é um zelo pelo nosso patrimônio financeiro em detrimento do patrimônio cultural. O dinheiro é mais importante que a cultura, ainda mais essa fortuna que se economizaria num único dia de trabalho. Eu só não sei por que antes desse feriado não rivalizávamos com os EUA, talvez por temperamento. Somos cordatos e tranqüilos. Para muitos o efeito colateral disso esse “famigerado” feriado de Zumbi.
Se a preocupação dos detratores do feriado é com a paralisação do país e suas conseqüência, não é nenhum medo ou recalque pelo fato de um líder verdadeiro e valoroso, não falácias como Pedro I, o Dom, ser reconhecido e receber a mais que merecida homenagem, sugiro uma solução. Por que não tirar o feriado de 15 de novembro. Se pudemos inserir o feriado de Zumbi, porque não tirar esse feriado que comemora, a meu ver, uma mera “troca de placas numa padaria”(quem leu certo romance de Machado de Assis, entende-me) e transformar o feriado mais nobre em dia Nacional da Consciência Negra. Satisfaríamos os descontentes, já que não é contra zumbi que eles lutam e sim contra os prejuízos que vão quebrar o país(apesar de nem o Governo Sarney ter conseguido) e mais ainda os que sabem(independentemente da cor da pela) da importância desse grande herói mundial. E também daquela turma que só quer pegar uma praia e não quer ser chamada de vagabunda por morar num município que tem dois feriados numa única semana. Quanto a mim não me importo nem com uma coisa nem outra. Nem com o fim do feriado da “famigerada” Proclamação da República e nem com dois feriados em intervalos tão curtos. No fim das contas fico feliz em saber que quando Zumbi chega, é Zumbi quem manda.




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Segunda-feira, Novembro 19, 2007
 


DA ESCRITA COMO UM TRAPÉZIO

A escrita tem sido uma mania de não-escritores ao longo dos anos, algo que me faz refletir: a escrita deveria ser como um trapézio. O trapezista, mesmo que figure entre os mais hábeis, tem medo de quebrar o pescoço e sabe que o que faz é repetível por apenas uns poucos loucos que se aventuram a desafiar a gravidade e, porque não dizer, a morte. Quanto a escrever tornou-se um fetiche de idiotas de classe média alta que possuem blog(oopss) que resolvem fazer de suas confissões infantis literatura, ou, melhor, literatice. A figura nefasta do “escritor fantasma”(um estelionatário que escreve por outro),transformou-se numa mania entre algumas celebridades que acham que sua vida daria um livro. Roberto Carlos quer “escrever” sua biografia depois de proibir uma outra, deixando triste o pobre coitado que se ocupou da vida do “rei”. O argumento para tal foi de que ninguém melhor que ele, RC, para escrever sua história. Por quê? Por que ele a vivenciou? Ter vivenciado coisas não torna ninguém escritor, portanto a frase do rei está mais para piada de bobo.
Soube que certo ator televisivo de 20 e poucos anos também pensou em escrever sua biografia. Santo deus, o que um ator recém saído da adolescência tem de experiência de vida para por num livro? Ao não ser que seja um novo Rimbaud, o que sua experiência de vida irá somar à literatura tão maltratada por gente que não pensa nas pobres árvores derrubadas para más publicações?
Se Rilke afirmara que se você não se imagina fazendo outra coisa que não escrevendo você é um escritor, é porque nunca se deparou com triste realidade. O livro é essa coisa estranha de que a maioria quer manter distância ao mesmo tempo em que reverencia a ponto de querer adentrar nesse espaço sagrado como um intruso desses que praticam vandalismo em templos. Não bastasse um número significativo de pessoas apreciadas, porque são imagens seqüestradas por uma indústria sequiosa por dinheiro fácil e que por isso fabrica seus mitos de última hora, temos essa gente disposta a portar uma pena e uma égide que já foram, de Guimarães Rosa ou Eça de Queiroz; só para mencionar dois nomes. Essa gente toda podia arrumar uma maneira mais decente de exercitar sua vaidade, já tão afagada pelos meios de comunicação, sugiro dar autógrafos



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Sábado, Novembro 10, 2007
 
A ANTA DO DIOGO MAINARD

Devo explicar que o título acima não pretende insultar o cronista da Veja, é tão somente uma alusão a seu recente best seller : "Lula é minha anta". Confesso que o batismo para seu livro de crônicas, não me espanta. Sutileza e educação nunca foram os pontos fortes do "enfant terrible" que, contudo, adora cobrar do povo brasileiro civilidade, educação e ética. Mas sua presa preferida é os políticos. Por isso "Lula é sua anta," ou seja,(para usar uma muleta verbal muito cara ao Presidente) um "animal" a ser caçado implacavelmente por Mainard. Feitos os esclarecimentos, devo complementar esta minha introdução com mais um. Não é sobre o âncora do Manhatan Conection que pretendo falar e sim de seu alvo, aquele a quem o cronista chama de "sua anta".
O presidente cuja popularidade sustenta-se muito mais por ser levada por uma economia que permite o consumismo entre pobres que podem comprar TVs de 25 polegadas em 50 prestações, do que pelo programa Bolsa Família, foi de fato "caçado" implacavelmente pelo best seller. Contudo ou ele tem má pontaria, ou o Presidente foi muito bem blindado ou, a hipótese que me é mais cara, seu poder de fogo, como o de qualquer "iluminista" de nossa Santa Imprensa, é nulo . O Presidente Lula segue lépido e fagueiro, embora, de fato, devesse ser cassado. Assim mesmo com dois "S" . Mas com o Congresso e o senado que temos, punir Lula por corrupção passiva ou ativa, seria o mesmo que presenciar o porco a ofender a lama. Fazer o que? Temos que suportar um presidente simplificador, maniqueísta, megalômano e fisiologista.Todavia isso não é o que mais me aterroriza na figura deste dirigente, antes sindical. O que há de pior no Governo Lula é seu elogio à ignorância. A ignorância própria e, por conseqüência, a ignorância de um modo geral. Relembro um de seus discursos, o que para mim foi o mais assustador de todos, mas parece ter chamado apenas minha atenção e do ator Carlos Vereza. Num de seus improvisos aplaudidos pela claque de sempre, Sua Excelência orgulhava-se de não ter precisado aprender inglês para se dirigir ao mundo, ao contrário do que lhe diziam seus críticos e adversários mais ferrenhos. Poucos percebem que o que o Excelentíssimo Presidente fez, foi escarnecer de um saber a que nem todos tem acesso, mas que, além de merecer respeito, pode ser muito útil, até para o próprio presidente.Vai que seu intérprete tenha uma forte dor de barriga?
Vereza disse que Lula faz "um elogio ao “apedeuta" e que "sua administração não é uma guinada à direita e sim uma guinada ao populismo e ao fisiologismo". Concordo com o ator, o que é raro.
Mas o que significa esse falso enigma chamado Governo Lula?
Nem Lula, nem o PT tem um projeto de Educação para o Brasil(isso sem tocar noutras questões). Lula não considera educar-se para o cargo que ocupa (ao menos) prioridade e, tão pouco a Educação do povo que lhe deu mais de 50 milhões de votos. Temos a pior educação do mundo, porque esse negócio de países miseráveis africanos e o Haiti, não conta. Falo de países, não de territórios ocupados. O Brasil é um país. Injusto, não pobre, como bem disse o ex-Presidente FHC, num de seus raros rasgos de lucidez a frente do poder. E a única chance de sairmos da miséria, seja esta intelectual, seja física é o Ciep, ignorado por sua Excelência e por outros da política, inclusive pelo PDT que o inventou.
Diante de um presidente que não vê nada e de seus críticos de meia pataca(talvez para ti inimigo leitor, eu seja um deles), nos resta o povo, refém de sua ignorância e simploriedade, impossibilitados de absorver a "erudição" das "pílulas iluministas" de Diogo Mainard e Olavo de Carvalho"(autor de "O imbecil Coletivo)
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